Kathleen Hanna, eterna vocalista da banda feminista Bikini Kill, participou no último dia 15 do programa Our Hit Parade, onde cantou pedaços do mega-hit "Smell Like Teen Spirit" do Nirvana e de "Rebel Girl" de seu falecido grupo. Mas o destaque mesmo vai para os casos contados por Hanna ao som de piano. Kathleen mostra um belo domínio de palco não apenas cantando à frente de uma banda, mas também contando histórias de sua juventude ao lado do amigo que cheirava à desodorante. É um grande prazer para fãs da moça e de Nirvana ouvir casos famosos (e outros nem tanto) da história do rock underground da década de 90 da boca de uma das principais personagens da cena de Seattle. Infelizmente não há tradução para o português, mas ainda assim vale muito a pena dar uma conferida.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Zander no Art Garage

No domingo, após as alegrias e tristezas da última rodada do Campeonato Brasileiro de Futebol, um bom número de roqueiros se reuniu no Art Garage para assistir a seis shows de hardcore. A principal atração da noite era a banda carioca Zander, comandada pelo vocalista, multi-instrumentista e compositor Bil, famoso por seu trabalho em grupos finados como Noção de Nada e Deluxe Trio. O evento estava marcado para as 17h, mas houve certo atraso para o inicio das atividades.
Na abertura do evento, apresentaram-se Rainha Vermelha, os goianos do Atomic Winter, Hellena, Perfecto e Dias. A maior parte do público era ligada à cena hardcore, muitos deles straight edges. Era natural, portanto, a presença de uma barraquinha de comida vegana convivendo em perfeita harmonia com o bar do local. Também havia várias bancas de CDs e merch das bandas que se apresentariam durante a noite. O esquema todo só foi desmontado quando a chuva começou a cair durante o penúltimo show da noite, da banda Dias.
O Zander subiu ao degrau do Art Garage por volta das 23h30, um pouco tarde para um domingo, mas o horário não desanimou os fãs do quinteto. Como som um pouco embolado, a banda carioca começou a apresentação tocando vários sons de seu álbum de estréia, o ótimo Brasa, que estava à venda no local por apenas R$10. Enquanto canções como "Humaitá" e "Motim" eram executadas com muita energia pelo grupo, o apertado salão foi tomado por violentas rodas de pogo e crowd surf. Se o local permitisse, provavelmente também haveria muitos stage dives e até os head walks praticados pelos mais sem noção.
Após o inicio focado em Brasa, as músicas dos dois EPs que precederam o álbum começaram a aparecer e foram recebidas com igual empolgação pelos presentes, que cantavam junto canções mais conhecidas como "Auto Falantes" e a excelente "Pólvora", e não pararam de agitar nem durante músicas mais lentas como "Dialeto", "Em Construção" e "Meia Noite". A apresentação seguiu com essa boa interação entre a banda e o público até o seu final, sem bis, ou qualquer frescura mainstream.
No entanto, nem todos agüentaram o calor extremo que fazia dentro do pequeno Art Garage. As janelas fechadas (talvez em função do pé d'água que caia do lado de fora) e o teto muito baixo não ajudavam a melhorar a o ambiente, que foi ficando cada vez mais úmido. No final da apresentação, a sensação era de se estar vendo um show em uma caverna. Na verdade, à exceção das duas primeiras fileiras imprensadas contra o degrau, também não se estava vendo muita coisa, mas apenas escutando, o que prejudica um pouco a experiência de assistir a uma banda com músicos experientes e com boa presença de palco.
Claro que ficam memórias únicas, como a chance de ver Nenê Altro do Dance of Days quase ser esmagado contra o teto da Zoona Z durante um crowd surf, mas já passou da hora de Brasília ter uma casa de shows minimamente adequada para shows pequenos como o do último domingo. Aliás, também falta à cidade casas de shows para eventos médios, mas não parece que veremos a solução para a falta de estrutura em breve. Por enquanto, os roqueiros da capital continuarão vendo (ou apenas ouvindo) ótimos shows em lugares como Art Garage. Paciência.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
A história do Rock N Roll
Novas postagens em breve. Por enquanto, um pouco de humor por Eduardo Medeiros.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Millencolin no Rio de Janeiro

Antigo galpão industrial transformado em centro cultural, a famosa Fundição Progresso foi palco do terceiro dos quatro shows da banda sueca Millencolin no Brasil. Era curioso notar a grande quantidade de roqueiros de todas as idades presentes ao evento a poucos metros dos tradicionais Arcos da Lapa, cartão postal do Rio de Janeiro e porta de entrada para o mais boêmio dos bairros da cidade, local de incontáveis bares e apresentações de samba e mpb. Também surpreendente era a quantidade de "bombados" dentro da casa de shows. Sem camisa desde a primeira música, os freqüentadores de academia conduziam incansavelmente a grande (e impiedosa) roda de pogo que se fixou em frente ao palco durante toda a apresentação. Mas engana-se quem pensa que os musculosos estavam atrás de briga. Comportavam-se como verdadeiros fãs, cantando todas as músicas e ajudando os desafortunados que caiam em meio ao caos a se levantarem. Realmente inesperado.
Completamente alheio às observações antropológicas rasteiras deste blogueiro, o Millencolin conduziu um ótimo show em comemoração ao aniversário de dez anos do seu mais aclamado álbum, Pennybridge Pioneers. Por vota das 22h30 da nublada noite de sábado, o quarteto sueco de hardcore subiu ao palco e colocou os fãs para pularem ao som de "No Cigar", que abre também o disco homenageado. Daí para frente, mandaram todas as 14 músicas de Pennybridge Pioneers na ordem do álbum, com pequenas pausas para tentativas não muito correspondidas de comunicação em inglês com o público e as clássicas palavras soltas em português que devem constar de todo contrato para shows de bandas gringas no país. Mas Nikola, Mathias, Erik e Fredrik conquistaram mesmo o público foi com sua simpatia. Cheios de energia, os guitarristas não pararam quietos durante todo o show. O vocalista Nikola Sarcevic e o baterista Fredrik Larzon são mais discretos, mas não menos carismáticos.
Músicas mais rápidas e conhecidas como “Stop To Think”, “Fox”, “Material Boy” e o hit “Penguins & Polarbears” fizeram o clima dentro da Fundição Progresso esquentar e o público parecia genuinamente feliz de assistir o Millencolin tocando o álbum de cabo a rabo. Como nada pode ser perfeito, o som das guitarras estava um pouco baixo, mas nada que estragasse a boa execução das músicas. Para finalizar a primeira parte da apresentação, Nikola fica sozinho no palco com seu violão e chama uma fã sortuda para subir ao palco e cantar o refrão de “The Ballad”. Apesar de bastante desafinada, Thábata era bem extrovertida e aproveitou seus dois minutos de fama, se recusando a sair do palco quando um roadie tentou tirá-la de lá e dando um beijo no guitarrista Erik Ohlsson quando o restante da banda voltou para o final elétrico da canção. Se terminasse por aí, a maioria já se daria por satisfeita, mas todos sabiam que o quarteto voltaria para tocar mais. O que nem todos sabiam é que elas seriam quase todas antigas, dos primeiros álbuns dos caras.
O Bis começou com o primeiro hit da banda, “The Story of My Life” e seguiu como fan-favourites como “Random I Am”, “Lozin’ Must”, “Killercrush”, “Vixen”, a versão estendida de “Buzzer” e a clássica “Mr Clean” cantada pelo guitarrista Mathias Färm, para encerrar a festa pela segunda vez, deixando uma ótima sensação nostálgica pairando sobre o público. Mas o quarteto ainda tinha reservado mais para o os fãs cariocas e voltou ao palco outra vez para tocar “Bullion”, “Dance Craze” e para fechar a noite em grande estilo, a única canção da dos anos 2000 executada na noite, a ótima “Black Eye”, do disco Home From Home. Os fãs ainda queriam mais e ensaiaram cantar outra vez “Olê, Olé, Olé, Millen-colin”, entoado em coro antes e durante o show, como se estivéssemos no Maracanã torcendo pelo time do coração de cada punk rocker presente no local. O Millencolin não voltou, mas ainda havia tempo para curtir um bom chopp Brahma sob as nuvens cariocas olhando para os arcos da Lapa. Tomara que os suecos voltem em breve.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Metric vs The World

Está acontecendo desde terça-feira no Rio de Janeiro a primeira edição da Rio ComiCon, uma convenção internacional de histórias em quadrinhos organizada pela editora Casa 21. Como em grande parte da chamada cultura pop, muitas vezes as barreiras entre música e HQs são derrubadas por trabalhos que se utilizam uma forma de arte/entretenimento para falar de outras. É o caso de Scott Pilgrim Contra o Mundo, HQ do autor canadense Brian Lee O'Malley, focada nos percalços do relacionamento do canadense pós-adolescente do título com a americana Ramona Flowers.
Apesar da temática, a estética da série (que também virou um belo filme) gira em torno da cultura dos videogames e da musica independente. Scott toca baixo em uma banda de garagem chamada Sex Bob-Omb e sua ex-namorada Envy canta na quase famosa Clash At Demonhead. Para o filme, os produtores convocaram o multi-instrumentista Beck para cuidar das músicas da banda de Scott, o Broken Social Scene compôs as canções do grupo fictício Crash and the Boys e a banda indie canadense Metric cedeu a música "Black Sheep" para regravação pela atriz Brie Larson, que interpretou a ex-namorada famosinha do Scott.
Confira abaixo a apresentação do Metric no lançamento do filme, na convenção de quadrinhos de San Diego em julho. O interessante clipe incorporou à apresentação ao vivo da banda os grafismos que inundam o filme, inserindo a show no universo pop de Scott Pilgrim. Divertido.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Tragam a luz para Liam Gallagher

A nova banda de Liam Gallagher, o Beady eye, lançou ontem sua primeira música, "Bring The Light". Como Liam havia prometido, trata-se de um rock dançante com muitas referencias à sonoridade das décadas de 50 e 60. A proposta pode parecer interessante em um primeiro momento, emulando Jerry Lee Lewis e o começo dos Beatles (obviamente), mas a verdade é que a faixa soa meio genérica. A produção, propositalmente "crua", também não ajuda muito e a impressão que fica é que Liam está cantando dentro de uma garrafa. Não é realmente ruim, mas esperava-se muito mais de 4/5 do Oasis, uma vez que todos os membros da última formação da mega-banda inglesa escolheram participar do novo projeto, deixando Noel Gallagher sozinho em seu trabalho pós Oasis.
"Bring The Light" pode ser conferida abaixo e no site dos caras é possível baixar gratuitamente a faixa, que também será lançada em formato físico numa edição limitada de 4.000 exemplares em vinil no dia 22 de novembro. O disco também terá uma B-Side chamada “Sons of the Stage”, cover da banda World of Twist. O que vocês acharam?
domingo, 7 de novembro de 2010
Marky Ramone Blitzkrieg no Arena Futebol Clube
A noite da última sexta-feira foi marcada para muitos roqueiros brasilienses pela passagem de mais um revival dos grandes Ramones pela capital federal. O Marky Ramone Blitzkrieg conta com o ex-baterista dos pioneiros do punk rock, com Michale Graves, vocalista de uma das formações do Misfits e com dois argentinos desconhecidos substituindo outros dois membros pouco conhecidos no baixo e na guitarra. Pode parecer uma grande enganação, mas inegavelmente rendeu uma hora e meia de muita diversão para os fãs dos Ramones (e do Misfits), da mesma forma que a apresentação de CJ Ramone ano passado no mesmo Arena Futebol Clube.
Do alto de seus 54 anos, Marky continua com a cabeleira impecavelmente preta e mandando bem com as baquetas. O cara toca quase sem pausas durante cerca de uma hora e nos intervalos entre o setlist principal e os dois bis vem aos microfones para agradecer e apresentar Michale Graves. E apesar do nome do projeto, é o ex-vocalista dos Misfits que se comporta como a estrela da apresentação. Comandando a festa, Graves canta, dá seus pulinhos característicos e tem até um momento sozinho no palco. Os músicos argentinos apenas cumprem seu papel de coadjuvantes e tocam de forma competente os instrumentais ramônicos. Poderia ser qualquer um no lugar dos deles que não haveria diferença, mas também não prejudicam.
A apresentação, que teve início após os shows das bandas locais Gonorants e The Squintz, começou com a clássica "Rockaway Beach" e seguiu lembrando bastante o melhor registro ao vivo dos Ramones, It's Alive, de 1979. Os fãs dançaram, pularam e cantaram junto hinos do punk rock como “Teenage Lobotomy”, “Psycho Therapy”, “Sheena Is A Punk Rocker”, “Havana Affair”, “Beat On The Brat”, “53rd And 3rd”, “Judy Is a Punk”, “Rock N Roll Radio”, “Now I Wanna Sniff Some Glue”, “Poison Heart”, “I Believe In Miracles”, “KKK Took My Baby Away”, “I Wanna Be Sedated”, “Pet Sematary”, “Today Your Love, Tomorrow The World” e “Pinhead”, todos tocados quase sem pausas além da clássica contagem: "1234"!
Após cerca de uma hora a banda se retirou do palco apenas para ouvir o público gritar novamente "Hey Ho, Let's Go!". Na volta, o vocalista Michale Graves subiu sozinho ao palco carregando apenas um violão para executar três faixas dos Misfits, como já vinha fazendo nos outros shows da turnê brasileira. Apesar dos gritos pedindo sons da banda de horror punk, apenas uma minoria na platéia sabia cantar junto “Descending Angels”, “Scream” e “Saturday Night”. Momento emocionante para os fãs da banda e de descanso para aqueles que não os conhecem bem. Em seguida, o restante da banda-tributo volta ao palco para executar uma versão elétrica da ótima "Dig Up Her Bones", hit maior da fase em que Graves esteve a frente dos Misfits e "When We Were Angels", primeira faixa própria do Blitzkrieg, composta pelo vocalista.
A banda saiu mais uma vez do palco, mas todos sabiam que o show ainda não havia terminado, não sem a execução do hino maior dos Ramones. Rapidamente os quatro subiram de volta e tocaram “What A Wonderful World”, na boa versão do disco solo de Joey Ramone e obviamente “Blitzkrieg Bop”, para encerrar a noite. Após uma hora e meia, os fãs que encheram o Arena estavam satisfeitos e com sorrisos no rosto.
Por outro lado, não se pode dizer que não houve falhas no evento. Para começar, o público da noite foi visivelmente menor que o da apresentação de CJ Ramone, apesar de ainda ter marcado presença em bom número. Já Michale Graves parecia empolgado, mas não deixou de reclamar do som do local, já que quase ficou surdo com as interferências do microfone e não pode se aproximar do público e da beira do palco sob o risco de tomar choques. O vocalista também se mostrou incomodado com a dificuldade da mesa de som em equalizar o violão na parte acústica da apresentação. Nada, no entanto, que tenha estragado a ótima celebração ramônica com a banda cover de luxo do Marky. Na saída, fãs comentavam que para a homenagem ser perfeita era só tirar os dois argentinos e colocar CJ e o produtor Daniel Ray no baixo e na guitarra. Difícil discordar.
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010
The Crowd at a Rock Show

A webcomic Subnormality é publicada virtualmente pela Virus Comix desde 2007. A HQ não tem personagens fixos e muitas vezes nem mesmo pode ser classificada como quadrinhos, mas como charge. De qualquer forma, deparei-me com a imagem acima, que me leva a conclusão de que shows undergroud de rock são muito parecidos em qualquer lugar do globo. Claro que há cenas muito mais estruturadas que outras, mas que fã de rock alternativo não se identifica com o cenário e os personagens acima? A charge, disponível apenas em inglês, pode ser ampliada para melhor leitura. É só clicar na imagem.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Germs of Perfection: A Tribute To Bad Religion (2010)

Como título do álbum deixa claro, Germs of Perfection é um tributo ao aniversário de 30 anos da essencial banda de hardcore californiana Bad Religion organizado pelo MySpace em parceria com a revista musical Spin. Mas apesar dos nomes de respeito na organização e nas faixas desse álbum virtual, parece que faltou um conceito mais fechado e um direcionamento artístico um pouco mais definido. Por definição, tributos rendem discos variados, uma vez que contam com vários artistas, mas Germs Of Perfection sofre ainda mais com esse problema ao não definir se será composto por regravações acústicas ou elétricas, de artistas do universo punk/hardcore ou distantes desses estilos. Para piorar, a organização das faixas quase que divide o álbum em dois ao deixar os artistas indies separados dos punk rockers. Dependendo da versão do álbum virtual que você tenha baixado, um grupo vem antes do outro, deixando tudo ainda mais estranho.
Apesar da falta de qualquer unidade e do trabalho pouco cuidadoso de listagem das faixas, a grande maioria dos artistas convidados se saiu muito bem, seja reinventando completamente as músicas escolhidas ou mantendo a estrutura, mas dando um tempero próprio à timbragem dos instrumentos e à voz. Os folk-countries William Elliott Whitmore e Frank Turner se aproximam do trabalho solo do vocalista do Bad Religion, Greg Graffin, ao dar um tratamento rústico de voz e violão a "Don't Pray On Me" e "My Poor Friend Me", faixas pouco conhecidas da banda. Switchfoot, Ted Leo e a dupla canadense Tegan e Sara também optaram por versões calminhas de faixas agressivas e antigas como "Suffer" e "Against The Grain", mas com um acabamento mais... romântico. É interessante perceber como a calmaria das faixas ressalta as ótimas melodias das composições originais e as acadêmicas letras de Graffin.
Do outro lado da moeda, o Polar Bear Club fez a versão mais próxima da faixa original de todo o tributo. Não fosse a voz rouca de Jimmy Stadt, seria dificil perceber a diferença dessa "Better Off Dead" para aquela encontrada no álbum Stranger Than Fiction. O texano Riverboat Gamblers vez um bom cover sujo e energético para "Heaven Is Falling", assim como o Cobra Skulls, que deu um toque rockabilly para "Give You Nothing", que conta com uma participação imperceptivel de Fat Mike, do NOFX. Já o Cheap Girls executou "Kerosene" com um tempero de rock clássico e o dinamarquês New Politics colocou com sucesso sua experimentação sonora a favor do clássico "Generator", que conta até com uma passagem reggae. A decepção do álbum fica por conta da versão atrapalhada da antiga "Pity", de 1982, pelo experiente Guttermouth. Nem sempre velocidade se traduz em energia e a impressão que fica é que o quarteto não levou muito a sério a proposta de releitura do álbum. Mas eles não levam nem mesmo a própria música a sério, então era algo a se esperar. No final, fica a sensação de um bom tributo, mas que prometia - e poderia ter entregado - muito mais.
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domingo, 24 de outubro de 2010
Ace of Spades em um bar francês
Em sua nova campanha publicitária, a cervejaria francesa Kronenbourg 1664 criou o slogan "slow the pace", uma versão liquida da campanha slow food, para que os consumidores pudessem apreciar calmamente o sabor da lager. O comercial para TV levou os ingleses do Motörhead para um bar francês de atmosfera tranqüila, onde eles puderam executar seu hit "Ace Of Spades" em ritmo reduzido à metade, enquanto idosos locais jogavam cartas e bebiam sua cerveja. O resultado foi um blues de respeito com a sempre marcante voz de Lemmy, que pode ser conferido aí em baixo. Para ganhar entradas para shows da banda na Europa e itens autografados sugira músicas para o Top 10 de melhores versões lentas para músicas rápidas no Twitter da campanha. Agora é só torcer para que a música seja lançada na internet sem cortes e barulhos de fundo.
domingo, 17 de outubro de 2010
Face To Face retorna com música e disco novos

Depois de oito anos de silêncio, os estadunidenses do Face To Face estão de volta com um novo álbum, chamado Laugh Now, Laugh Later. A banda, que havia entrado em hiato no meio da década, não lançava um disco de inéditas desde How To Ruin Everything, de 2002. Infelizmente, o trabalho só verá a luz do dia em janeiro do próximo ano, por meio da gravadora do vocalista Trever Keith, a Antagonist Records. Mas para saciar a curiosidade dos fãs, o quarteto liberou o primeiro single do disco para audição e download gratuito em seu site oficial. A faixa se chama “Should Anything Go Wrong” e pode ser ouvida no player abaixo.
Trata-se de um punk rock melódico acelerado que segue a mesma linha do restante do trabalho da banda e deve agradar bastante quem gosta dos caras, apesar de não ter um refrão tão memorável quanto o dos clássicos do quarteto. Vale lembrar também que toda a arte do disco foi concebida pelo tatuador Corey Miller, famoso por sua participação no reality show LA Ink, comandado pela famosa tatuadora Kat Von D. Corey também imprimiu o mesmo conceito visual nas costas do vocalista Trever Keith, na última temporada da série, que no Brasil vai ao ar pelo canal pago Liv.
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Entrevista com a banda candanga Deceivers

Com quase 20 anos de estrada, a banda brasiliense Deceivers tem três álbuns na bagagem, o mais recente deles chama-se Paralytic, e foi lançado este ano. Nosso colaborador Boss Matsumoto conversou com o vocalista Gregório, único membro original da banda, por onde já passaram 25 músicos. Saiba mais sobre o disco novo, Porão do Rock, a experiência nos EUA e muitos outros assuntos na entrevista abaixo.
Boss Matsumoto: Complete a frase: "Desde 1992..."
Gregório: As coisas mudaram muito. O mundo, a música, as pessoas. Acho que eu também mudei muito... mas o rock continua e resiste a trancos e barrancos.
BM: Quantas vezes você já pensou em desistir da banda?
Gregório: Algumas vezes em que a coisa saia muito do âmbito da diversão, e se tornava um tormento. Mas só os fortes sobrevivem e por isso que estou a uns 18 anos na banda, e hoje é um “dever cívico” mantê-la! (risos)
BM: Qual é a pior parte de uma mudança de um membro da banda? Tem que esperar o rapaz pegar o feeling das músicas?
Gregório: Isso mesmo! Esperar a coisa ficar natural. Passar as músicas também é um saco! Esses dias fizemos um balanço e pasmem: Já passaram mais de 25 pessoas pela banda!
BM: Me fale um pouco sobre essa formação atual.
Gregório: Estamos mais maduros que nunca, sabemos onde queremos e podemos chegar. Diversão e prazer na frente. Obrigações? Só com nossa qualidade e integridade como banda!
BM: Tocar no Porão do Rock deu alguma resposta pra vocês? Qual foi a melhor show que vocês tocaram no festival?
Gregório: O Porão sempre foi uma dor de cabeça para a banda... Prepara-se um grande show, um lançamento e pimba! Eles fazem dar errado! Nesses anos de participação por lá, chegamos à conclusão que a produção não se importa muito com as bandas daqui. Esse ano, fomos mais uma vez desrespeitados, tendo nosso som cortado com uns 15 minutos de show. Uma palhaçada com o público e com a banda... Um grande desrespeito.
BM: A tentativa de morar nos Estados Unidos sempre esteve nos planos da banda? Ou foi uma oportunidade que surgiu e vocês agarraram? Quanto tempo demorou para tomarem a decisão?
Gregório: A idéia de ir pra fora sempre esteve nos planos da banda. Sabíamos da grande dificuldade de “profissionalizar” nossa banda aqui no país. Conseguimos um contrato com um manager de lá e fomos na cara e na coragem mesmo... Desde que começamos a gravar com a banda sabíamos que o mercado que dava alguma chance para nós estava fora do Brasil, o que é uma pena... Fizemos um grande trabalho por lá, de divulgação mesmo. A experiência ficará para toda nossa vida também!
BM: Tentariam de novo?
Gregório: Não mais do mesmo jeito... Envelhecemos, temos família, mulher, filhos... Hoje em dia temos a ambição de fazer nosso som chegar ao máximo de pessoas via internet, e começar a armar uma tour por essas terras estrangeiras e desconhecidas. Tudo mudou muito de nossa época pra cá, hoje a internet consegue nos “levar” a essa gente diferente do mundo afora!
BM: Qual foi a parte mais difícil de morar no exterior para tentar o sucesso da banda?
Gregório: Controlar nossos egos e diferenças num ambiente sem grana! Isso foi o mais foda mesmo...
BM: O que você recomendaria para um rapaz que fala: "Estou montando uma banda em inglês para poder viajar, morar no exterior e viver de música"?
Gregório: Um conselho do ator Johnny Depp serve muito para essa pergunta, esse conselho me norteou por muito tempo: “Faça todo o possível no seu país, antes de tentar alguma coisa no dos outros”!
BM: Como foi o processo de criação desse novo CD? O que diferencia ele dos outros materiais?
Gregório: Foi muito diferente! O Paralytic é nosso álbum mais bem produzido, sem dúvida. Junto com o produtor Gui Negrão, procuramos deixar todo o processo de gravação e mixagem “o mais orgânico” possível. Sem triggers de bateria, com passagens e takes inteiros de batera e vocais... Além da masterização no Sterling Sound, o melhor do mundo no seu segmento.
BM: O que espera do público em relação a esse novo trabalho?
Gregório: Espero que ouçam e guardem os sons, procurem as letras, o encarte... Que conheçam a obra completa, algo tão raro nos tempo de mp3. Um iPod com 300 milhões de músicas é o que mais se vê ultimamente!
BM: Qual foi a maior dificuldade pro Deceivers, que é uma banda brasiliense independente, que canta metal em inglês?
Gregório: Achar pessoas que estivessem comprometidas com a banda e dispostas a seguir anos com ela.
BM: Você toca algum instrumento?
Gregório: Tudo e todos (risos)
BM: Quais são os 5 CDs que estão tocando no seu rádio (ou mp3 ou mp4 ou mp5 ou mp1000 ou iPod ou iPobre)?
Gregório: Eminem – The Eminem Show; Poison The Well – The Rot Tropic; Alexis On Fire – Young Cardinals, que é uma obra prima!; Skindred – Shark Bites; e o último do High On Fire.
BM: Voltando 18 anos no tempo, que bandas tocavam no seu Walkman?
Gregório: Biohazard; Cannibal Corpse, que ouço até hoje; DFC; Asphyx; Machine Head; Stuck Mojo; Hed PE; Sick Of It All, Ratos de Porão; Downset…
BM: O microfone é seu agora, dê um recado, se quiser.
Gregório: Obrigado pela grande oportunidade da entrevista! E parabéns por manter a cena viva.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Kris Roe toca nova música do Ataris na rua
No último mês de julho, a produtora de vídeos musicais Ecce capturou um mini-show de Kristopher Roe, a "alma" da banda The Ataris, em um banquinho na calçada em frente ao Marquis Theatre, em Denver, onde o grupo se apresentava naquela noite. São três vídeos para duas músicas antigas, "Broken Promise Ring" e o hit "In This Diary", e uma nova chamada "The Graveyard of the Atlantic" que estará no álbum de mesmo nome, a ser lançado ano que vem, segundo o próprio Kris conta nos vídeos.
O vocalista, guitarrista e compositor mostra em versões acústicas que seu talento continua intacto após tantos anos longe da mídia, mas visualmente o impacto pode ser grande para os antigos fãs do Ataris. Kris ganhou um pouco de peso, perdeu muito cabelo e alguns dentes, mas ainda está longe da aparência decadente que atinge alguns músicos do underground, quando os anos de drogas e carpe diem cobram seu preço. E apesar do sucesso comercial ter-se ido há vários anos, alguns pedestres reconhecem o cara e param para assistir a apresentação, que apesar de improvisada, é bem produzida pela Ecce. Confira os três vídeos abaixo:
"In This Diary"
"The Graveyard of the Atlantic"
"Broken Promise Ring"
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Zander - Brasa (2010)

Apenas dois anos após se juntarem, os cariocas do Zander lançaram este mês seu primeiro trabalho longo, Brasa. A gravação pode parecer apresada, mas se justifica pela experiência do quinteto no cenário underground brasileiro. O vocalista e compositor Gabriel Zander, que dá nome à banda, é mais conhecido como Bil e fez parte de duas aclamadas bandas de hardcore, o Noção de Nada e o Deluxe Trio. Outros membros da banda fazem ou faziam parte de grupos como Heffer e Dead Fish. Também por isso, os caras nem se preocuparam em buscar um produtor ou uma gravadora e partiram imediatamente para dois EPs e esse álbum, lançado pela Manifesto Discos, de propriedade de alguns integrantes da banda, assim como o estúdio SuperFuzz, onde aconteceram as gravações.
O espírito independente também se reflete no som do Zander, que não se restringe ao hardcore, passeando pelo post-hardcore, emocore, hard rock e até indie rock. Curiosamente, Brasa é menos ousado musicalmente do que os dois EPs anteriores. Se em Em Construção, de 2008, a banda atirava para vários lados, aqui eles se mantém em território conhecido. Outro fator que chama atenção de cara são os vocais de Bil, um pouco mais limpos e menos roucos do que nos EPs ou em suas bandas anteriores. Isso, por si só, dá um feeling levemente pop às músicas, sem tirar delas a qualidade ou a energia. O único porém é que o álbum demora um pouco para esquentar. Se as primeiras faixas são legais, a coisa só começa mesmo a pegar fogo a partir da quarta música, "Todos os Dias".
Entre as 11 faixas que compõem o disco, destacam-se as energéticas "Motim" e "Humaitá", a balada "Meia Noite", e "Sunglasses", a primeira música em inglês do quinteto. As primeiras têm uma leve influência de hard rock, como "Pólvora", melhor faixa do EP de 2008. "Meia Noite" lembra algumas músicas do Deluxe Trio e explora bem a melodia mais pop e as guitarras pesadas e bem trabalhadas. Já "Sunglasses" é um bom emocore noventista que não faria feio em uma coletânea da famosa gravadora estadunidense Jade Tree.
Também é interessante notar como Bil consegue integrar com naturalidade as letras em português às melodias corridas do hardcore, algo em que muitas bandas nacionais não têm tanto sucesso. As palavras nunca soam como traduções de letras em inglês e a temática é claramente brasileira (e carioca) sem nunca parecer forçada. A banda não busca em nenhum lugar sua "brasilidade" ou tenta mesclar regionalismos ao seu som. O Zander é simplesmente uma banda de hardcore brasileiro. Será interessante conferir a evolução dos caras em seus próximos trabalhos e ver se Bil se mantém coerente ao que canta em "Todos os Dias": "Vale tudo que não seja nos repetir".
Homenagem virtual ao Bad Religion

Em uma interessante parceria com a revista estadunidense de música Spin, o MySpace Music está lançando virtualmente Germs of Perfection: A Tribute to Bad Religion, coletânea que consiste em bandas de vários estilos fazendo covers de músicas que os influenciaram ou simplesmente os marcaram em nível pessoal ao longo dos 30 anos de história da banda californiana. Todo dia útil uma nova faixa será lançada no site do projeto e no dia 19 de outubro o álbum estará disponível para download na página virtual.
Até agora, três faixas já foram divulgadas pelo MySpace. São versões da dupla gêmea canadense Tegan e Sara para o clássico "Suffer", do disco de mesmo nome de 1988; um cover da música "Better off Dead" do álbum Stranger Than Fiction (1994) pela banda de post-hardcore Polar Bear Club; e por último, o folkman Frank Turner canta "My Poor Friend Me", do álbum clássico Recipe For Hate, de 1993. Ouça as versões abaixo, acompanhe os novos lançamentos e espere por uma eventual resenha do tributo por aqui.
Tegan e Sara tocam "Suffer"
Encontre mais artistas como Tegan and Sara em MySpace Music
Polar Bear Club toca "Better off Dead"
Encontre mais artistas como Polar Bear Club em MySpace Music
Frank Turner toca "My Poor Friend Me"
Encontre mais artistas como Frank Turner em MySpace Music
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